Artigo · 21 de set. de 2026
O que a tecnologia pode fazer pelo cinema?
Da XBPIX à Plano Piloto, a Baablon vem investindo em tecnologia para experimentar novas possibilidades no audiovisual e encontrar soluções para desafios concretos da produção. Neste texto, conheça essa trajetória e como essas experiências podem contribuir para uma produção mais eficiente, fortalecer a autoria dos diretores e criar melhores condições para que os filmes cheguem mais longe.

Foto: Print da Plataforma Plano Piloto, desenvolvida pela Baablon
A tecnologia vem transformando o cinema de muitas maneiras, da produção à forma como os filmes chegam ao público. Mas, além das mudanças mais visíveis, ela também pode abrir espaço para novas formas de relacionamento entre quem faz um filme, quem assiste e quem acompanha os resultados de uma obra.
Foi explorando justamente essas possibilidades que a Baablon passou a desenvolver experiências próprias em tecnologia. A primeira delas foi a XBPIX, criada em 2021 como uma experiência para pensar de outra maneira a relação entre filmes e espectadores. Desde então, a empresa vem investindo conhecimento, tempo e recursos no desenvolvimento de soluções que possam responder a problemas concretos do audiovisual e criar melhores condições para que os projetos sejam realizados e alcancem seu potencial.
XBPIX: uma experiência com novos modelos de circulação
A XBPIX nasceu em um mercado já dominado por grandes plataformas globais. Em vez de simplesmente reproduzir os modelos existentes, a proposta era experimentar novas formas de descoberta, recomendação e relacionamento com os filmes.
A plataforma partia de uma prática muito conhecida no cinema: a indicação de uma pessoa para outra. O usuário podia compartilhar um filme e receber parte da receita quando sua indicação gerava novos aluguéis. Assim, o espectador também participava da circulação da obra. A XBPIX chegou a reunir filmes de produtoras e distribuidoras como Downtown, Paris Filmes, O2 Play e Imagem Filmes.
Mas havia outra questão por trás desse modelo: o que acontece com as informações produzidas na relação entre o público e um filme? Como entender melhor o que desperta interesse, o que leva alguém a recomendar uma obra e como essas informações podem contribuir para quem produz e dirige?
Essa proximidade entre filme, público e informação tinha relação direta com a maneira como a Baablon entende a autoria. Conhecer melhor o caminho de uma obra até seu público também pode ajudar a compreender seu alcance e criar novas possibilidades para sua circulação.
A experiência durou cerca de um ano e meio. Depois desse período, a Baablon decidiu interromper a operação e aguardar condições mais favoráveis para novos investimentos. Manter uma plataforma tecnológica e conquistar a atenção do público exige recursos significativos, especialmente em um mercado no qual empresas globais disputam diariamente essa atenção.
A XBPIX não continuou como plataforma, mas deixou uma experiência concreta de mercado. A Baablon investiu na criação e na operação de uma solução própria, pôde testar ideias, observar comportamentos e compreender melhor os desafios de aproximar filmes e espectadores. Esse conhecimento passou a fazer parte de outras decisões da empresa e ajudou a formar uma visão mais ampla sobre o papel que a tecnologia pode desempenhar no audiovisual.
Plano Piloto: Tecnologia para uma produção mais transparente
Hoje, a frente tecnológica mais desenvolvida da Baablon está voltada para a própria produção audiovisual. A empresa desenvolve e utiliza a plataforma Plano Piloto, criada para reunir em um mesmo ambiente informações financeiras, cronograma e andamento das diferentes etapas de um projeto.
Em uma produção, essas informações estão constantemente relacionadas. Uma mudança de cronograma pode afetar custos, equipe e outras etapas. Uma alteração no orçamento pode exigir novas decisões. Ter uma visão atualizada dessas informações permite identificar problemas mais cedo e tomar decisões com maior clareza, antes que eles comprometam etapas posteriores do projeto.
A Plano Piloto também procura reduzir a dispersão de informações entre planilhas, e-mails, mensagens e relatórios. Em vez de a equipe precisar reunir dados de diferentes lugares para entender o estágio de uma produção, as principais informações podem ser acompanhadas de forma integrada.
Nas coproduções, essa lógica também se estende aos parceiros. O coprodutor pode acompanhar diretamente informações financeiras e de cronograma, criando uma relação mais transparente entre as empresas e permitindo que decisões sejam tomadas com base em informações atualizadas. Para projetos que envolvem diferentes parceiros, recursos e responsabilidades, essa visibilidade pode ser uma parte importante da própria gestão do risco e da construção de confiança entre as equipes.
A Plano Piloto não substitui a experiência de quem produz. Seu papel é oferecer uma estrutura melhor para que essa experiência seja aplicada. Menos tempo procurando informações significa mais tempo para analisar o que elas significam e decidir o que precisa ser feito. E essa eficiência não interessa apenas à gestão: ela cria melhores condições para que os recursos de um filme sejam direcionados para aquilo que realmente precisa estar na tela.
Tecnologia, visão autoral do diretor e competitividade
É nesse ponto que a tecnologia se relaciona diretamente com a valorização dos diretores. Uma produção mais organizada, transparente e capaz de antecipar riscos pode proteger melhor o trabalho criativo que está por trás de um projeto. Quando orçamento, cronograma e etapas de produção estão sob controle, o diretor encontra melhores condições para concentrar sua atenção nas escolhas que definem a obra, enquanto a equipe de produção consegue trabalhar para viabilizar essas escolhas com mais segurança.
Isso também afeta o próprio filme. Recursos melhor acompanhados, decisões tomadas com informação e problemas identificados com antecedência podem reduzir perdas e preservar possibilidades criativas ao longo da produção. O resultado não é apenas uma produção mais eficiente, mas melhores condições para que a ideia original do diretor chegue à tela com a força que motivou sua realização.
Em um mercado cada vez mais competitivo, essa capacidade também pode contribuir para a posição de um filme diante de parceiros, financiadores, festivais, distribuidores e outros agentes do setor. Uma produção capaz de demonstrar controle sobre seus recursos, cronograma e processos oferece mais informações para quem participa do projeto e pode construir relações de confiança ao longo de sua trajetória.
Para a Baablon, essa relação entre tecnologia e autoria é especialmente importante. Investir em ferramentas de produção não significa afastar o cinema de sua dimensão criativa. Significa criar uma estrutura que ajude a proteger essa dimensão e que dê ao diretor melhores condições para desenvolver sua visão. Quanto mais sólida for a estrutura que sustenta um projeto, mais espaço pode existir para que sua identidade cinematográfica apareça.
Desenvolvimento tecnológico como parte da produção
A Plano Piloto é hoje a plataforma de tecnologia em estágio mais avançado da Baablon, mas faz parte de uma pesquisa mais ampla sobre como a tecnologia pode contribuir para o audiovisual.
A experiência da XBPIX mostrou possibilidades relacionadas ao público, à circulação e aos dados. O desenvolvimento da Plano Piloto leva essa mesma disposição para dentro da produção, buscando melhorar o controle dos recursos, reduzir riscos e tornar os processos mais transparentes.
Essa continuidade também representa uma escolha da Baablon de investir no desenvolvimento de soluções próprias, aprendendo com os problemas encontrados na prática e transformando essa experiência em ferramentas que possam ser aplicadas aos projetos. A tecnologia, nesse caso, não é um elemento separado da produção cinematográfica: nasce das necessidades concretas de quem produz filmes e volta para dentro deles como estrutura.
Esse desenvolvimento está ligado à própria forma como a Baablon entende a produção cinematográfica. Tecnologia pode ajudar a organizar melhor um projeto, mas também pode liberar tempo, proteger recursos e criar melhores condições para que as decisões criativas recebam atenção. Quando a gestão funciona melhor, o trabalho de quem está fazendo o filme também pode funcionar melhor.
É por isso que a Baablon continua desenvolvendo suas próprias ferramentas. Não para colocar a tecnologia no centro do cinema, mas para descobrir onde ela pode resolver problemas concretos, fortalecer quem realiza os filmes e criar novas possibilidades para os projetos.
Da XBPIX à Plano Piloto, a trajetória é feita de experiências diferentes, mas conectadas pela mesma disposição de investir, testar, aprender e desenvolver novas soluções para o cinema. Em comum, está a busca por uma tecnologia que não substitua a criação, mas que ajude a criar as condições para que ela tenha mais espaço, mais segurança e mais força para chegar à tela.