Perfil · 17 de set. de 2026 · Baablon Studios
Marcus Ligocki Jr.: cinema brasileiro, estratégia e circulação
Perfil do fundador da Baablon Studios, apresentado a partir da missão coletiva da produtora: fortalecer diretores brasileiros e ampliar a circulação de suas obras.

Foto: Raimundo Sampaio
Marcus Ligocki Jr. é cineasta, roteirista, produtor, educador e gestor cultural brasileiro. Sua trajetória atravessa criação artística, formação de profissionais, produção executiva, articulação institucional, desenho de modelos de negócio e circulação internacional do audiovisual.
Fundador da Baablon Studios, Marcus constrói sua atuação a partir de uma convicção: o cinema brasileiro possui uma diversidade de autores, territórios e linguagens muito maior do que a percepção que costuma chegar ao mercado. A produtora nasce para responder a essa distância, colocando o diretor no centro e trabalhando para que cada obra seja pensada com rigor artístico, estrutura produtiva e estratégia de circulação.
Brasília ocupa um lugar decisivo nessa formação. Estar fora dos centros tradicionais exigiu de Marcus uma visão ampla da cadeia audiovisual: desenvolver projetos, estruturar financiamentos, organizar equipes, dialogar com políticas públicas, compreender janelas de exibição e construir pontes com outros mercados. Essa perspectiva faz parte do método da Baablon.
Como diretor e roteirista, Marcus desenvolveu obras de ficção, documentário e projetos seriados, sempre interessado na relação entre personagem, território e desenho visual. Como produtor, esteve associado a filmes e séries com circulação nacional e internacional, em processos que exigem conciliar autoria, viabilidade, entrega e público.
Sua experiência inclui a criação e coordenação de iniciativas de formação, a participação em ambientes de mercado, a curadoria do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e a concepção da Mostra Território Brasil, criada para evidenciar a força da produção realizada em diferentes regiões do país. A ideia que atravessa esse percurso é simples: regionalização não deve significar isolamento; a diversidade territorial brasileira pode ser uma vantagem artística, econômica e estratégica.
Em sua atuação institucional, Marcus também integrou espaços de reflexão sobre o audiovisual brasileiro como instrumento de reputação, diplomacia cultural e presença internacional. Essa dimensão reforça uma visão de indústria: identidade e mercado não são opostos. Uma obra só alcança relevância duradoura quando preserva um olhar próprio e, ao mesmo tempo, encontra a forma certa de ser produzida, comunicada e distribuída.
A Baablon não foi criada como extensão de uma biografia individual. Foi criada para transformar experiência acumulada em método coletivo. O perfil de Marcus importa porque ajuda a revelar a origem desse método: uma produtora que combina autoria, produção estratégica, tecnologia embarcada, dados, articulação institucional e compromisso com a visibilidade dos diretores brasileiros.
Na Baablon, a liderança do fundador deve servir à obra, aos diretores e à construção de uma plataforma coletiva. O centro não é a figura de quem fundou a empresa. O centro é o cinema brasileiro que ainda precisa ser visto, defendido, produzido e levado mais longe.